Blue Zones: o que ensinam as regiões do mundo onde as pessoas vivem mais e melhor

Blue Zones: O que têm em comum uma ilha japonesa, uma região da Sardenha, uma península da Costa Rica, uma comunidade californiana e uma ilha grega? As pessoas que vivem nessas zonas chegam aos 100 anos com bastante regularidade o que desafia a média mundial. Dan Buettner foi descobrir porquê,
Em 2005, o investigador e autor Dan Buettner publicou na National Geographic um artigo que viria a mudar a forma como o mundo pensa sobre longevidade. Com uma equipa de demógrafos e investigadores, identificou cinco regiões do planeta com concentrações excepcionalmente elevadas de centenariós saudáveis. Chamou-lhes Blue Zones.
Não se tratava de genética privilegiada nem de acesso a tecnologia médica avançada. Tratava-se de um conjunto de hábitos, valores e ambientes partilhados que, em conjunto, criavam as condições para uma vida longa e saudável.
As 5 Blue Zones
• Okinawa, Japão — conhecida pelas mulheres mais longevas do mundo; alimentação à base de vegetais, tofu e batata-doce; forte sentido de propósito (ikigai)
• Sardínha, Itália — a maior concentração de homens centenariós do mundo; dieta mediterrânica, vinho tinto moderado e laços comunitários muito fortes
• Península de Nicoya, Costa Rica — uma das taxas mais baixas de mortalidade por doença cardiovascular do mundo; alimentação simples, actividade física natural e forte sentido de propósito (plan de vida)
• Loma Linda, Califórnia, EUA — comunidade adventista do sétimo dia; dieta maioritariamente vegetariana, sem tabaco nem álcool, com forte vida comunitária
• Icaria, Grécia — a ilha onde as pessoas esquecem de morrer; dieta mediterrânica, sesta diária, baixo nível de stress e forte integração social
Os 9 denominadores comuns — o Power 9
Dan Buettner identificou 9 fatores comuns às cinco Blue Zones:
• Movimento natural — o movimento está integrado no quotidiano: jardinar, caminhar, cozinhar, não está conetado com ginasio, sendo que alguns o fazem também.
• Propósito — ter uma razão para acordar de manhã (ikigai em japonês, plan de vida em espanhol) acrescenta até 7 anos de vida
• Desacelerar — rituais diários de redução de stress: sesta, oração, hora de desfrutar com amigos
• Regra dos 80% — parar de comer quando está 80% saciado (hara hachi bu em okinawês)
• Alimentação à base de plantas — feijões, lentilhas e soja são a base; carne raramente e em pequenas quantidades
• Vinho com moderação — 1 a 2 copos por dia, geralmente à refeição e em contexto social (excepto Loma Linda)
• Pertencer a uma comunidade — a maioria dos centenariós pertence a uma comunidade religiosa ou espiritual
• Família em primeiro lugar — cuidar dos pais e avós, investimento nas crianças, relacionamentos estáveis
• Círculo social certo — os hábitos saudáveis são socialmente contagiosos; os centenariós cercam-se de pessoas com valores semelhantes.
O que as Blue Zones confirmam
O que me fascina nas Blue Zones é que confirmam, com dados de populações reais ao longo de décadas, os mesmos princípios que o IIN ensina: a saúde não se constrói apenas com a alimentação. Constrói-se com propósito, relações, movimento natural, pertença comunitária e uma alimentação maioritariamente à base de plantas e alimentos nutritivos, não processados e produzidos de forma local.
Não é sobre perfeição. É sobre consistência e contexto. As pessoas nas Blue Zones não seguem dietas estritas nem frequentam ginásios. Vivem de uma forma que torna a saúde inevitável.
“Não existe uma pílula, suplemento ou dieta que recrie o que as Blue Zones fazem naturalmente.” — Dan Buettner
Para saber mais
O trabalho de Dan Buettner está documentado no site oficial das Blue Zones, onde encontrará os estudos originais, ferramentas de autoavaliação e recursos práticos para aplicar os princípios do Power 9 no quotidiano. Pode consultar aqui:
E se quiser perceber como estes princípios se articulam com a Bio-Individualidade, o Primary Food e o Food is Medicine, descarregue o guia gratuito “A Saúde Começa Aqui”:
As minhas Notas
Mencionei aqui no meu blog as Blue Zones para mostrar que a alimentação é apenas uma parte de um todo, e que focar apenas neste ponto, não é suficiente para ter uma vida plena e saudável, e se possível longícua com qualidade que é o que todos procuramos.
Eu sei que é difícil replicar o estilo de vida que as pessoas nas Blue Zones têm, pois o ritmo é bastante mais tranquilo e as pessoas vivem realmente seu o dia a dia, muitas de nós nas grandes cidades acabamos por sobreviver ao longo do dia, e é aí que queria chegar com isto, não podemos estar constantemente em modo sobrevivência, e pensamos que está tudo bem só porque temos uma alimentação saudável e vamos ao ginásio, e depois esquecemos complemente de nutrir a nossa mente.
Uma alimentação saudável e equilibrada, a atividade física e uma suplementação adequada ao seu estilo de vida são uma parte importante do processo, mas é só uma parte, para completar o ciclo, temos de olhar para as outras partes da nossa vida e tentar que seja o mais nutritivo possível.
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Luis Coutinho
Farmacêutico | IIN Health Coach.
Fundador do Balance by LC — balancebylc.com
Este artigo tem fins informativos e educativos. Não substitui o aconselhamento farmacêutico ou médico profissional.
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